Tecnologia e Infância
Qual o futuro de uma geração que assiste a vida pela televisão?

 

Segundo a Antroposofia, nos primeiros sete anos de vida, todas as forças atuam na formação do corpo físico e só depois da troca dos dentes de leite pela dentição permanente, que a personalidade da criança desabrocha para o pensar de forma reflexiva e a memória se desenvolve permitindo a assimilação de uma quantidade incrível de conhecimentos (LANZ, 2003).

Contudo, até os sete anos a criança vive intensamente os seus sentidos através da relação com a natureza, brincando, explorando e situando-se de forma consciente no mundo. Nesta relação, encontra-se permeável a todas as influências do meio ambiente, isso significa que ela é como um grande órgão sensório, absorvendo toda experiência vivida de forma plena.

Diante desta sensibilidade desprovida de filtro racional, a criança não se interessa em refletir se algo é bonito ou feio, bom ou mau. Ela deseja ter ao seu lado um adulto em quem confie as respostas à essas questões. Quem assume a condução neste caso, tem uma grande responsabilidade, pois cabe ao adulto filtrar e julgar o que a criança deve ter acesso nos primeiros anos de vida!

Atualmente, no Brasil, as crianças passam até mais de cinco horas diárias na frente da televisão e outros dispositivos eletrônicos. Ou seja, passam grande parte do dia sentadas de forma passiva e em estado de transe provocado pela velocidade da troca de imagens, a qual impossibilita qualquer reflexão ou julgamento do conteúdo exibido. No caso de crianças menores, a consequência é ainda mais grave, pois ficam à mercê de uma visão de mundo artificial, enquanto estão submetidas à informações que são transmitidas sem filtro e sem a preocupação quanto a sua formação psíquica, física e moral (
BUDDEMEIER, 2010).
 

Pesquisas mostram que crianças que ficam muito tempo na frente da televisão e outros equipamentos eletrônicos perdem o interesse pela vida natural e o impulso de querer compreender o mundo, pois é mais cômodo observar o mundo como expectador do que estar na dialética do viver onde o prazer e a frustração se fazem igualmente presentes. Neste sentido, cabe-nos a reflexão sobre quais as implicações da forma que conduzimos a educação dos nossos filhos e o que esperar de uma criança que assiste à vida pela Tevê?

Como é bom observar crianças brincando! Livres, correndo no jardim, imaginando um dinossauro ou um tubarão que voa, ou mesmo uma formiga gigante que corre atrás de um elefante!  A liberdade de crianças saudáveis que fantasiam e criam um mundo à sua volta, mesmo que aparentemente não tenha nenhum sentido lógico, é de extrema relevância para a formação de adultos espontâneos, capazes de lidar com situações desafiadoras de forma criativa.
 
Nós da Aquarela Brinquedos Naturais acreditamos que é possível ter uma infância mais feliz e saudável através de experiências vivas, onde a criança possa experimentar todas as sensações necessárias para fortalecer o seu eu e se tornar uma pessoa mais criativa e capaz de lidar com as frustrações da vida adulta.